politica – Folha do Brasil e do Mundo https://folhadobrasiledomundo.com.br Portal de Notícias do Brasil e do Mundo Wed, 10 Sep 2025 14:41:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://folhadobrasiledomundo.com.br/wp-content/uploads/2025/08/cropped-fbm-32x32.png politica – Folha do Brasil e do Mundo https://folhadobrasiledomundo.com.br 32 32 Manifestação pró-Bolsonaro reúne 42,2 mil pessoas na Avenida Paulista e pede anistia https://folhadobrasiledomundo.com.br/manifestacao-pro-bolsonaro-reune-422-mil-pessoas-na-avenida-paulista-e-pede-anistia/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/manifestacao-pro-bolsonaro-reune-422-mil-pessoas-na-avenida-paulista-e-pede-anistia/#respond Sun, 07 Sep 2025 22:03:20 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=831 Ato leva multidão à Paulista no 7 de Setembro

O ato em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, realizado neste domingo (7) na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu 42,2 mil pessoas, segundo levantamento com uso de drones e inteligência artificial. No ápice da manifestação, às 16h03, o público variou entre 37,1 mil e 47,3 mil participantes, considerando a margem de erro de 12%. Em comparação, no 7 de Setembro de 2024, a mobilização na mesma avenida havia registrado 45,4 mil pessoas.

O levantamento mostra que o número de manifestantes neste domingo foi superior ao registrado no ato de agosto deste ano, quando 37,6 mil pessoas participaram, mas ficou abaixo da mobilização de abril, que reuniu 44,9 mil apoiadores. Em junho, apenas 12,4 mil haviam comparecido. Já no Rio de Janeiro, outra manifestação neste 7 de Setembro levou 42,7 mil pessoas à orla de Copacabana.

O principal foco do ato em São Paulo foi o pedido de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Cartazes e discursos cobraram do Congresso Nacional a votação da proposta. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que não houve crime em 8 de janeiro e defendeu a candidatura de Bolsonaro em 2026. Ele também pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que paute a votação da anistia.

Foto: Nelson Almeida/AFP

Impedido de comparecer por estar em prisão domiciliar, Bolsonaro foi representado por aliados próximos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro discursou emocionada, afirmando que o marido é vítima de perseguição política e que sua liberdade foi cerceada. Também falaram o pastor Silas Malafaia, que atacou o ministro Alexandre de Moraes, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado Sóstenes Cavalcante, que classificou o Judiciário como autoritário.

O ato acontece às vésperas da retomada do julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para esta terça-feira (9). Bolsonaro responde por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes, podendo pegar até 43 anos de prisão caso seja condenado. Ao mesmo tempo, cresce a pressão no Congresso para que seja votada uma anistia geral. Enquanto aliados defendem que o perdão inclua o ex-presidente, setores do Senado discutem uma proposta alternativa que exclui Bolsonaro, mas reduz penas de outros condenados.

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Clima político no Congresso trava debate sobre anistia a Jair Bolsonaro no 8 de Janeiro https://folhadobrasiledomundo.com.br/clima-politico-no-congresso-trava-debate-sobre-anistia-a-jair-bolsonaro-no-8-de-janeiro/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/clima-politico-no-congresso-trava-debate-sobre-anistia-a-jair-bolsonaro-no-8-de-janeiro/#respond Sat, 06 Sep 2025 16:59:41 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=820 Anistia enfrenta resistência no Legislativo

A discussão sobre a anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 segue em impasse no Congresso Nacional. Apesar da intensa pressão da oposição, que defende um perdão amplo, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, líderes da Câmara e do Senado têm adotado cautela diante das repercussões políticas e jurídicas.

Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta sofre pressão para pautar a proposta de anistia, mas tem resistido. A expectativa é de que ele aguarde a conclusão do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal antes de avançar com a votação. Analistas avaliam que Motta busca equilíbrio entre os interesses da oposição, o governo e o Judiciário, evitando um desgaste político precoce.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre tem sinalizado rejeição ao texto que prevê anistia ampla e irrestrita. A proposta em construção na Casa inclui apenas a redução de penas, deixando de fora lideranças políticas como Jair Bolsonaro. Essa alternativa, considerada mais “light”, busca alinhar o Legislativo com a posição do STF e reduzir o impacto negativo junto à opinião pública.

A anistia também se tornou peça no tabuleiro eleitoral. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assumiu a defesa da proposta, posicionando-se como herdeiro do bolsonarismo, mas enfrenta resistência de aliados mais próximos de Bolsonaro. Para especialistas, o movimento busca consolidar apoio para as eleições de 2026, ainda que a inelegibilidade do ex-presidente esteja mantida.

Pesquisas de opinião mostram que a maioria da população é contra a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Esse dado pesa no cálculo dos presidentes da Câmara e do Senado, que tentam equilibrar interesses políticos internos com a pressão popular. O risco de desgaste eleitoral é um dos principais motivos para a falta de consenso em torno do tema.

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Bolsonaro pode ser preso após julgamento no STF? Veja os cenários possíveis https://folhadobrasiledomundo.com.br/bolsonaro-pode-ser-preso-apos-julgamento-no-stf-veja-os-cenarios-possiveis/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/bolsonaro-pode-ser-preso-apos-julgamento-no-stf-veja-os-cenarios-possiveis/#respond Sun, 31 Aug 2025 13:16:15 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=707 STF inicia julgamento de Bolsonaro e aliados por suposta trama golpista

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta semana o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados, acusados de participação em uma trama golpista para tentar impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O processo está sendo analisado pela Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin.

Bolsonaro responde a cinco acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR): organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e ameaça grave, além de deterioração de patrimônio tombado.

Apesar das especulações, a jurisprudência do STF estabelece que um réu condenado a regime fechado só pode ser preso após o julgamento de recursos iniciais, como os embargos de declaração. Isso significa que, mesmo em caso de condenação, Bolsonaro não seria levado imediatamente a uma prisão comum.

Um exemplo semelhante ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, condenado em 2023 a oito anos e dez meses de prisão por corrupção. A execução da pena só foi determinada após a análise dos recursos, em abril de 2025.

O caso de Bolsonaro, entretanto, tem um fator diferente: o ex-presidente já cumpre prisão domiciliar em outro processo. Caso a Primeira Turma entenda que há risco de fuga ou descumprimento de medidas cautelares, ele pode ser transferido diretamente para um presídio, como o Complexo da Papuda ou a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Além disso, Bolsonaro também é investigado em outro inquérito no STF que apura suposta coação no curso do processo e ataques à soberania nacional. Nesse caso, existe a possibilidade de decretação de prisão preventiva.

Além do ex-presidente, outros sete aliados serão julgados no mesmo processo:

  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, acusado de propagar fake news sobre fraudes eleitorais.
  • Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, teria colocado tropas à disposição para apoiar o golpe.
  • Anderson Torres: ex-ministro da Justiça, acusado de auxiliar juridicamente o plano golpista.
  • Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, teria participado de lives questionando as urnas eletrônicas.
  • Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator, participou ativamente de reuniões e troca de mensagens sobre o plano.
  • Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, teria apresentado decreto que buscava anular as eleições de 2022.
  • Walter Braga Netto: general da reserva e ex-ministro, é o único preso preventivamente, acusado de financiar acampamentos e até planejar atentado contra o ministro Alexandre de Moraes.

O ministro Cristiano Zanin convocou sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, além das sessões ordinárias de 2 e 9 de setembro. A expectativa é que até o dia 12 a Primeira Turma finalize a análise da ação penal.

A defesa dos réus afirma que não existem provas que comprovem a ligação dos acusados com a suposta tentativa de golpe. Já a PGR sustenta que Bolsonaro liderava o grupo e pretendia se manter no poder mesmo após a derrota nas urnas.

A decisão sobre condenar ou absolver Bolsonaro e seus aliados ficará nas mãos dos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino. Caso haja condenação, o colegiado definirá também onde os réus deverão cumprir pena.

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STF determina monitoramento reforçado e discreto da casa de Bolsonaro diante de risco de fuga https://folhadobrasiledomundo.com.br/stf-determina-monitoramento-reforcado-e-discreto-da-casa-de-bolsonaro-diante-de-risco-de-fuga/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/stf-determina-monitoramento-reforcado-e-discreto-da-casa-de-bolsonaro-diante-de-risco-de-fuga/#respond Thu, 28 Aug 2025 13:22:23 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=660 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última terça-feira (26) que a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, seja monitorada em tempo integral pela Polícia Penal do Distrito Federal. A decisão visa impedir eventuais tentativas de fuga — considerando inclusive a possibilidade de solicitação de asilo político — mantendo, porém, o caráter discreto da operação, sem exposição midiática ou incômodo à vizinhança.

Bolsonaro está sob prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica desde meados de julho — dispositivo que rastreia por GPS e sinal de celular, emitindo alertas caso seja violado. Além disso, o ex-presidente está proibido de utilizar celular, acessar redes sociais (inclusive por meio de terceiros), manter contato com autoridades estrangeiras ou frequentar embaixadas, salvo em situações excepcionais autorizadas judicialmente.

A intensificação do monitoramento ocorreu após a Polícia Federal identificar um rascunho de pedido de asilo à Argentina no celular de Bolsonaro, além de deliberações internas sobre possível refúgio na Embaixada dos EUA, situada a poucos minutos de sua casa em Brasília

Na decisão, Moraes autorizou o monitoramento 24 horas por dia, com equipes da Polícia Penal mantendo vigilância discreta e respeitando o ambiente familiar. Ficou determinado que uniformes e armamentos usados pelos agentes fiquem a critério da corporação, desde que não sejam intrusivos ou causem desconforto à vizinhança. Também foi ordenada checagem constante do sistema eletrônico de monitoramento para garantir eficácia das medidas de segurança.

O ministro já havia alertado que a violação de quaisquer medidas cautelares — como uso de redes sociais ou contato não autorizado — implicaria na revogação da prisão domiciliar e conversão imediata em prisão preventiva. Essa postura reforça a severidade das restrições em vigor e a atenção do STF ao cumprimento rigoroso das determinações judiciais.

A medida judicial é considerada uma resposta direta a pedido da Polícia Federal e do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que apontaram risco concreto de fuga e locação de refúgio em solo diplomático — cenários que poderiam comprometer o cumprimento da lei penal.

Bolsonaro e outros réus enfrentarão o julgamento por tentativa de golpe de Estado, com previsão de sentença entre 2 e 12 de setembro, e risco de condenação de mais de 40 anos de prisão

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Senado aprova projeto para proteger crianças em ambientes digitais https://folhadobrasiledomundo.com.br/senado-aprova-projeto-para-proteger-criancas-em-ambientes-digitais/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/senado-aprova-projeto-para-proteger-criancas-em-ambientes-digitais/#respond Wed, 27 Aug 2025 23:35:36 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=638 Fonte: Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta-feira (27) o projeto de lei que cria regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. A proposta prevê obrigações para os fornecedores e controle de acesso por parte de pais e responsáveis e promete também combater a chamada adultização de crianças nas redes sociais. O PL 2.628/2022  segue agora para sanção presidencial. 

O projeto prevê, entre outros pontos, a remoção imediata de conteúdos relacionados a abuso ou exploração infantil com notificação às autoridades, além da adoção de ferramentas de controle parental e verificação de idade dos usuários.

Apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) em 2022, a proposta sofreu modificações durante votação na Câmara na quarta-feira (20). O tema ganhou destaque nacional após o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar, no início do mês, um vídeo que denuncia a adultização e a exploração sexual de crianças e adolescentes para criação de conteúdo na internet.

O projeto cria um  Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A intenção é proteger esse público no uso de aplicativos, jogos eletrônicos, redes sociais e programas de computador. A votação foi comandada por Alessandro Vieira. Ele assumiu a cadeira da Presidência em um gesto simbólico feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

 — É um gesto da Presidência em reconhecer a atuação do senador Alessandro Vieira, que construiu essa agenda nos últimos três anos, liderando esse processo e enfrentando um debate extremamente difícil. Quero fazer esse gesto simbólico com a certeza de que estamos cumprindo um dever histórico — disse Davi.

Alessandro Vieira destacou a urgência da proposta no cenário atual e o envolvimento da sociedade em sua construção. Segundo ele, o problema do ambiente digital é global, especialmente para os públicos mais vulneráveis.

— O que estamos fazendo aqui é ouvir a sociedade. Hoje, no mundo inteiro, o ambiente digital é um problema, sobretudo para o público mais vulnerável. A sociedade civil se mobilizou, as equipes técnicas se envolveram. Estamos igualando parcialmente a atividade de algumas das empresas mais poderosas do capitalismo. Esta é a primeira lei das Américas sobre o tema. É fruto de um trabalho coletivo — afirmou.

Relator da proposta no Senado, Flávio Arns (PSB-PR) reconheceu os avanços promovidos pelos deputados no projeto, mas decidiu reincluir pontos do texto original aprovado anteriormente pelos senadores, como a proibição das caixas de recompensa para crianças nos jogos eletrônicos. Também fez ajustes de redação para aprimorar a proposta.

— A importância de aprovarmos esta proposição se reflete no amplo consenso alcançado nas duas Casas do Congresso Nacional. Estamos diante de um conjunto de regras robusto, capaz de assegurar às crianças e aos adolescentes que acessam ambientes virtuais os mesmos direitos e proteções que já existem no mundo real. Vivemos uma realidade insustentável, com denúncias diárias de abusos e violências, enquanto enfrentamos inúmeros desafios para proteger esse público. A aprovação desta lei é uma questão de máxima urgência — afirmou o senador.

Durante a votação, a maioria dos senadores manifestou apoio à proposta afirmando que o texto representa um avanço na proteção das crianças, mas outros apontaram preocupação com essa regulação das redes sociais.

Contrário ao projeto, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que a causa é nobre, mas alertou que esse pode ser o começo de uma regulação mais dura das plataformas.

— Depois que abrir essa porteira, o controle das redes sociais não se fecha mais. O maior controle, na minha opinião, é dos pais. Isso o Estado nunca vai suplantar. Eu não acredito que o Estado deva substituir o controle parental. O melhor seria que isso fosse autorregulado — criticou. 

Na mesma linha, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) demonstrou preocupação com o projeto. Segundo ele, apesar das boas intenções dos deputados e senadores, a proposta pode abrir uma “janela perigosa” para o controle das redes sociais.

— É a porteira que o STF está esperando para regulamentar rede social — alertou. 

Alessandro Vieira afirmou que a proposta busca, na verdade, resgatar o poder de pais e mães de acompanhar e controlar a vida digital dos filhos.

— A partir da sanção da lei, as empresas serão obrigadas a organizar seus produtos e serviços de forma mais segura e adequada ao público infantil e adolescente — disse.

O texto obriga que fornecedores de produtos e serviços de tecnologia da informação adotem uma série de medidas para prevenir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos prejudiciais, como pornografia, bullying, incentivo ao suicídio e jogos de azar. Entre elas está a remoção de conteúdo.

Caso sejam identificados conteúdos relacionados a abuso sexual, sequestro, aliciamento ou exploração, as empresas devem remover e notificar imediatamente as autoridades competentes, tanto nacionais quanto internacionais. A exigência de remoção nesses casos não estava no texto aprovado pela Câmara e foi incluída pelo relator no Senado, Flávio Arns:

— Não se pode admitir que conteúdos de tamanha gravidade possam permanecer disponíveis publicamente mesmo após sua identificação e notificação às autoridades competentes. O dever de remoção deve ser entendido como implícito nesses caso — afirmou.

As empresas também deverão retirar o conteúdo que viola direitos de crianças e de adolescentes assim que forem comunicados do caráter ofensivo da publicação pela vítima, por seus representantes, pelo Ministério Público ou por entidades representativas de defesa  dos direitos de crianças e de adolescentes, independentemente de ordem judicial.

O usuário que publicou conteúdo considerado abusivo deve ser notificado com antecedência, recebendo a justificativa da decisão de retirada da postagem e a informação sobre se a análise foi feita por um sistema automatizado ou por uma pessoa. A plataforma também deve oferecer um mecanismo de recurso acessível e claro, permitindo que o usuário conteste a remoção.

Se uma denúncia for feita de forma abusiva, o autor poderá sofrer sanções, incluindo a suspensão temporária ou até a perda da conta em casos de denúncias falsas recorrentes.

Redes com mais de 1 milhão de crianças ou adolescentes devem publicar, a cada seis meses, um relatório com dados sobre denúncias de abuso, conteúdos moderados e ações de gestão de riscos à segurança e saúde das crianças e adolescentes. 

Entre as obrigações dos provedores de redes sociais, está a de garantir que haja vinculação das redes sociais de crianças e adolescentes de até 16 anos a um responsável e a remoção de conteúdo considerado abusivo para este público.

O projeto proíbe que a verificação de idade seja feita por autodeclaração do usuário. Também exige que as empresas disponibilizem configurações e ferramentas acessíveis e fáceis de usar que apoiem a supervisão parental. A ideia é que os responsáveis tenham mais facilidade para acompanhar o conteúdo acessado pelas crianças e adolescentes, bem como limitar o tempo de uso. 

As ferramentas de supervisão parental deverão, por padrão, oferecer o nível máximo de proteção disponível. Isso inclui bloquear a comunicação entre crianças e adultos não autorizados, limitar recursos que incentivem o uso excessivo — como reprodução automática, notificações e recompensas —, controlar sistemas de recomendação e restringir o compartilhamento da geolocalização.

Pais e responsáveis também devem ter acesso a controles que permitam configurar e gerenciar a conta da criança, definir regras de privacidade, restringir compras e transações financeiras, além de identificar os perfis de adultos com quem seus filhos interagem.

Na ausência de conta vinculada aos responsáveis legais, os provedores deverão impedir qualquer alteração que reduza o nível das configurações de supervisão parental.

Quem descumprir a lei poderá ser penalizado com advertência, multa, suspensão ou até proibição de exercer atividades, sem prejuízo de outras sanções civis, criminais ou administrativas.

A advertência dará um prazo de até 30 dias para que o infrator adote medidas corretivas. Já a multa poderá chegar a até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil no último exercício. 

Caso essa informação não esteja disponível, a penalidade será calculada entre R$ 10 e R$ 1 mil por usuário cadastrado no provedor, limitada a R$ 50 milhões por infração. Todos os valores serão atualizados anualmente com base no  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A aplicação das penalidades levará em conta fatores como a gravidade da infração, reincidência, capacidade econômica do infrator, finalidade social do provedor de internet e o impacto causado à coletividade.

Empresas estrangeiras serão solidariamente responsáveis pelo pagamento das multas aplicadas às suas filiais, sucursais, escritórios ou estabelecimentos no Brasil.

As penalidades mais severas — suspensão ou proibição de atividades — só poderão ser impostas pelo Poder Judiciário.

O relator retomou o texto do Senado sobre as chamadas caixas de recompensas (ou loot boxes) em jogos eletrônicos. O projeto original previa a proibição desse recurso, que oferece ao jogador itens virtuais relacionados ao enredo do jogo sem que ele saiba previamente o que irá receber — ou seja, vantagens aleatórias. No entanto, a Câmara flexibilizou a regra e permitiu o uso da funcionalidade, desde que sejam seguidas determinadas condições.

Ao retomar a proibição total das loot boxes para crianças e adolescentes, Arns apontou que especialistas alertam que esse tipo de mecânica pode incentivar comportamentos compulsivos e manter o jogador engajado por longos períodos, mesmo quando não há envolvimento de dinheiro, mas sim de pontuações acumuladas dentro do próprio jogo.

— Não existem limites seguros para que crianças e adolescentes utilizem este tipo de ferramenta. Há evidências científicas que sugerem que o uso de caixas de recompensa pode resultar em comportamentos problemáticos em relação a jogos de azar entre adolescentes e jovens — apontou o senador.

O texto prevê que caberá à autoridade administrativa autônoma de proteção dos direitos de crianças e de adolescentes no ambiente digital fiscalizar o cumprimento da lei e editar normas complementares. Essa autoridade seguirá as regras da Lei das Agências Reguladoras, o que implica, por exemplo, a realização de consultas públicas antes da edição ou alteração de normas.

Uma lei própria regulamentará a criação dessa autoridade, que segundo o senador Alessandro Vieira poderá até mesmo ser incorporada pela Anatel, por exemplo. Ele fez a observação diante da preocupação da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) de que isso poderia resultar em mais burocracia e na criação de cargos desnecessários.

Os fornecedores deverão “se abster” de realizar o tratamento dos dados pessoais de crianças e adolescentes de maneira que possa causar ou contribuir para violações à privacidade e a outros direitos protegidos desse público.

De acordo com o texto, os fornecedores de produtos com conteúdo impróprio para menores de 18 anos deverão impedir o acesso por crianças e adolescentes.

Os provedores de aplicações de internet que disponibilizam conteúdo pornográfico deverão impedir a criação de contas ou de perfis por crianças e adolescentes.

Outra medida de proteção de crianças e adolescentes prevista no projeto de lei é a proibição de traçar perfis para direcionar publicidade a essa faixa etária. Será vedado ainda o uso de análise emocional, realidade aumentada, realidade estendida e realidade virtual para esse fim.

A regulamentação não poderá impor mecanismos de vigilância massiva, genérica ou indiscriminada; e serão vedadas práticas que comprometam os direitos fundamentais à liberdade de expressão, à privacidade, à proteção integral e ao tratamento diferenciado dos dados pessoais de crianças e adolescentes.

Fonte: Agência Senado

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Lula ataca Trump e família bolsonaro em discurso polêmico https://folhadobrasiledomundo.com.br/lula-ataca-trump-e-familia-bolsonaro-em-discurso-polemico/ Tue, 26 Aug 2025 14:31:11 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=602 Em um discurso recente durante um evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à família Bolsonaro, acirrando ainda mais as tensões políticas no Brasil. Lula, que tem se posicionado como um defensor da democracia e dos direitos humanos, utilizou a ocasião para enfatizar a importância de valores democráticos e de justiça social, ao mesmo tempo em que atacava as ideologias conservadoras que, segundo ele, ameaçam esses princípios.

O ex-presidente Trump foi alvo direto das críticas de Lula, que se referiu ao americano como um “símbolo do extremismo e da desinformação”. Ele destacou que as ações de Trump durante seu mandato, especialmente em relação a questões ambientais e sociais, foram prejudiciais não apenas para os Estados Unidos, mas também para o mundo. “Trump não só dividiu a sua nação, mas também incentivou o desmonte de políticas que protegem o nosso planeta”, afirmou Lula, referindo-se ao impacto das decisões do ex-presidente na luta contra as mudanças climáticas.

Críticas a bolsonaro

Lula também direcionou suas críticas à família Bolsonaro, que, segundo ele, representa uma continuidade das ideias propagadas por Trump no Brasil. “A família Bolsonaro, com sua retórica de ódio e seu desprezo pelas instituições democráticas, tenta criar uma narrativa que favorece apenas seus interesses pessoais e políticos”, declarou Lula. Ele ressaltou que a democracia brasileira está em risco devido a essas influências externas e internas, e que é fundamental que os cidadãos se unam para proteger seus direitos e liberdades.

Durante o discurso, Lula fez questão de lembrar das dificuldades enfrentadas pelo povo brasileiro nos últimos anos, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Ele afirmou que a administração Bolsonaro foi marcada pela falta de empatia e pela negligência em relação à saúde pública, resultando em milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. “A crise que enfrentamos não é apenas sanitária, mas também uma crise de liderança e de valores. Precisamos de um governo que priorize a vida e a dignidade humana”, enfatizou.

A retórica de Lula ecoou entre seus apoiadores, que se sentiram encorajados pelas suas palavras. Muitos acreditam que a crítica ao extremismo é uma estratégia eficaz para mobilizar a população em torno de um projeto político mais inclusivo. “Estamos cansados de mentiras e manipulações. É hora de revertermos o que foi feito e reconstruirmos nosso país com base em justiça e igualdade”, afirmou uma das lideranças do movimento social presente no evento.

Por outro lado, as declarações de Lula também foram alvo de críticas por parte de opositores, que o acusam de polarizar ainda mais o debate político no Brasil. A família Bolsonaro, através de suas redes sociais, respondeu às acusações de Lula, defendendo seu legado e atacando o atual governo. “O presidente Lula deveria se preocupar com os problemas reais do Brasil, em vez de atacar adversários políticos”, afirmou um dos filhos de Jair Bolsonaro, sugerindo que as críticas são uma tentativa de desviar a atenção das dificuldades enfrentadas pela administração atual.

O final do discurso

Ao final do discurso, Lula fez um apelo à unidade entre os brasileiros, independentemente de suas convicções políticas. “Devemos nos unir em torno dos valores que realmente importam: a justiça social, a democracia e o respeito à diversidade. Se não fizermos isso, corremos o risco de perder tudo o que conquistamos com tanto esforço”, concluiu o presidente. Essa chamada à união, no entanto, é vista com ceticismo por muitos, que acreditam que a polarização política no Brasil está longe de ser resolvida.

O cenário político brasileiro continua a ser tumultuado, com as tensões entre os apoiadores de Lula e os defensores de Bolsonaro se intensificando. A fala do presidente, embora tenha sido bem recebida por seus seguidores, também serve para acirrar ainda mais o clima de disputa política. À medida que o Brasil se aproxima de novas eleições, é evidente que o debate sobre democracia, direitos humanos e justiça social permanecerá no centro das discussões, enquanto a sombra dos conflitos ideológicos entre os diversos grupos se torna cada vez mais pronunciada.

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