produtividade – Folha do Brasil e do Mundo https://folhadobrasiledomundo.com.br Portal de Notícias do Brasil e do Mundo Fri, 19 Sep 2025 14:38:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://folhadobrasiledomundo.com.br/wp-content/uploads/2025/08/cropped-fbm-32x32.png produtividade – Folha do Brasil e do Mundo https://folhadobrasiledomundo.com.br 32 32 Demissões no Itaú: vigilância digital em home office leva à dispensa em massa de funcionários https://folhadobrasiledomundo.com.br/demissoes-no-itau-vigilancia-digital-em-home-office-leva-a-dispensa-em-massa-de-funcionarios/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/demissoes-no-itau-vigilancia-digital-em-home-office-leva-a-dispensa-em-massa-de-funcionarios/#respond Fri, 19 Sep 2025 14:37:44 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=1022 Software monitorava teclas, cliques e tempo de tela sem aviso prévio

O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, está no centro de uma polêmica que envolve tecnologia, privacidade e direito trabalhista. Mais de mil funcionários foram demitidos após o uso de um software de monitoramento que registrava, em tempo real, a atividade dos computadores corporativos utilizados no home office. O sistema rastreava tempo de tela ativa, cliques, uso de teclado e até as abas abertas pelos trabalhadores, sem comunicação clara sobre a abrangência da vigilância.

Entre os demitidos está Rodrigo, engenheiro de software que recebeu a notícia de seu desligamento por “baixa produtividade”. Segundo ele, a justificativa partiu de relatórios automatizados que apontavam períodos de inatividade, mesmo quando estava trabalhando em seu computador pessoal devido à lentidão do notebook fornecido pelo banco. O episódio evidencia um ponto sensível: o uso de métricas digitais como critério único para avaliar desempenho pode gerar distorções e injustiças.

Ex-colegas confirmam que o sistema classificava como “tempo ocioso” qualquer período em que o mouse ou teclado não fosse utilizado, ainda que o funcionário estivesse concentrado em leituras ou planejamentos de projetos. Muitos afirmam que nunca foram alertados previamente sobre baixa performance nem tiveram oportunidade de se justificar.

As demissões ocorrem em um momento de alta lucratividade para o banco. Só em 2024, o Itaú registrou R$ 40,2 bilhões de lucro líquido, o maior da história de uma instituição financeira brasileira listada em bolsa. No primeiro semestre de 2025, o banco já havia acumulado mais de R$ 22 bilhões em resultados, com crescimento superior a 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar do cenário positivo, os desligamentos afetaram inclusive profissionais premiados recentemente pelo programa de reconhecimento interno de alto desempenho. O contraste entre o lucro recorde e a dispensa em massa levanta questionamentos sobre prioridades corporativas e práticas de gestão de pessoas.

O Itaú utilizava softwares capazes de registrar detalhadamente a interação dos funcionários com os computadores corporativos. Essas ferramentas, populares durante a pandemia, acompanham métricas como tempo de tela ligada, movimentação do mouse, frequência de digitação e histórico de navegação.

Entre os programas citados, está o XOne, desenvolvido pela empresa Arctica. A plataforma oferece recursos que permitem visualizar quais sites são acessados, por quanto tempo e até elaborar rankings de produtividade com base em atividade digital. Outro software conhecido no mercado, a Teramind, inclui funções de controle remoto, registro de ações em vídeo e alertas sobre navegação em sites de busca de emprego ou redes sociais.

Essas soluções são apresentadas como ferramentas de gestão, mas especialistas alertam que o uso indiscriminado pode violar direitos fundamentais de privacidade e criar ambientes de trabalho marcados pela pressão e pelo medo.

Juristas e professores de direito digital apontam que o monitoramento de atividades de teclado e mouse pode ser interpretado como invasivo, especialmente quando não há comunicação clara e consentimento do trabalhador. Pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), qualquer coleta de dados pessoais deve ter finalidade específica, proporcionalidade e transparência.

Além disso, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que regras contratuais precisam ser claras quanto ao regime de trabalho remoto, registro de jornada e fornecimento de equipamentos. Nos contratos analisados, não havia detalhamento sobre vigilância digital avançada, apenas cláusulas genéricas que informavam que as ferramentas de trabalho pertenciam ao banco.

Segundo advogados trabalhistas, a ausência de cláusulas explícitas pode abrir espaço para ações judiciais por danos morais, reintegrações e indenizações.

Relatos de trabalhadores que permaneceram no banco revelam um clima de medo após as demissões. Muitos relatam que passaram a levar o notebook até para pausas rápidas, como ir à cozinha ou ao banheiro, receosos de que a inatividade fosse interpretada como improdutividade. Esse comportamento reflete um ambiente de alta pressão, em que o controle digital substitui a confiança entre empresa e colaborador.

Pesquisas acadêmicas já identificaram que o uso intensivo de softwares de vigilância pode aumentar a ansiedade e a competição entre funcionários, criando um ciclo de insegurança e estresse que impacta diretamente a saúde mental e o engajamento.

Diante da repercussão do caso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou procedimento investigatório para apurar a legalidade do uso de softwares de monitoramento pelo banco. A instituição será convocada a prestar esclarecimentos sobre o alcance da vigilância, a comunicação aos funcionários e os critérios utilizados para os desligamentos.

Especialistas apontam que o caso pode se tornar um marco jurídico importante sobre os limites da tecnologia no ambiente de trabalho e a necessidade de regulamentações mais claras para proteger trabalhadores em regime de teletrabalho.

Advogados reforçam que a formalização adequada do regime remoto é essencial para evitar disputas. Entre os pontos considerados fundamentais estão:

  • definição clara entre home office integral ou modelo híbrido;
  • regras sobre jornada, pausas e registro de ponto;
  • responsabilidades sobre fornecimento de equipamentos e reembolso de despesas;
  • medidas de segurança da informação e limites de uso de dados pessoais.

Contratos vagos, segundo especialistas, podem comprometer tanto a proteção dos funcionários quanto a segurança jurídica das empresas.

O teletrabalho ganhou força após a pandemia e foi incorporado à CLT pela Lei nº 13.467/2017, com atualizações posteriores. Para servidores públicos federais, o Decreto nº 11.072/2022 regulamenta o Programa de Gestão e Desempenho (PGD). Apesar dos avanços legais, ainda há lacunas sobre a aplicação de softwares de monitoramento.

O caso do Itaú reacende a discussão sobre até que ponto as empresas podem controlar a atividade de seus colaboradores sem ferir a privacidade, a autonomia e a dignidade do trabalhador.

Conclusão

As demissões em massa no Itaú Unibanco, motivadas por relatórios de softwares de monitoramento, colocam em evidência um debate urgente no Brasil: como equilibrar produtividade, privacidade e legislação no mundo do trabalho remoto. O episódio mostra que, apesar dos avanços tecnológicos, a transparência, o diálogo e o respeito aos direitos trabalhistas continuam sendo pilares fundamentais para manter relações de trabalho sustentáveis e justas.

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Trabalho é apontado como um dos principais vilões da saúde mental no Brasil e no mundo https://folhadobrasiledomundo.com.br/trabalho-e-apontado-como-um-dos-principais-viloes-da-saude-mental-no-brasil-e-no-mundo/ https://folhadobrasiledomundo.com.br/trabalho-e-apontado-como-um-dos-principais-viloes-da-saude-mental-no-brasil-e-no-mundo/#respond Sun, 31 Aug 2025 13:26:16 +0000 https://folhadobrasiledomundo.com.br/?p=710 Saúde mental em alerta: pressão no trabalho cresce em ritmo acelerado

A relação entre trabalho e saúde mental vem ganhando destaque em estudos recentes. Pesquisas internacionais e brasileiras mostram que o ambiente profissional, quando marcado por excesso de cobrança, jornadas longas e falta de reconhecimento, tem se tornado um dos maiores fatores de risco para transtornos mentais como ansiedade, estresse crônico e depressão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos adultos em idade produtiva convivem com algum transtorno mental relacionado ao trabalho. No Brasil, esse número é ainda mais preocupante: dados do Ministério da Saúde indicam que os afastamentos por motivos psicológicos cresceram 39% nos últimos cinco anos, tornando-se a segunda principal causa de licenças médicas no país.

Especialistas afirmam que a chamada cultura do burnout, caracterizada pelo excesso de horas dedicadas ao trabalho e pela glorificação da produtividade extrema, é uma das maiores responsáveis pelo adoecimento mental de trabalhadores. O burnout, reconhecido pela OMS desde 2019 como síndrome ocupacional, afeta profissionais em diversas áreas, principalmente no setor corporativo, saúde e educação.

De acordo com pesquisa da Fiocruz, um a cada três trabalhadores brasileiros relata sintomas relacionados ao burnout, como esgotamento físico, insônia e irritabilidade.

Além da sobrecarga, ambientes tóxicos, assédio moral e ausência de políticas de bem-estar corporativo intensificam o problema. Empresas que não oferecem suporte psicológico ou políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional acabam aumentando a rotatividade e diminuindo a produtividade.

O relatório “Future of Work” da consultoria Deloitte aponta que mais de 70% dos profissionais consideram a saúde mental tão importante quanto o salário na hora de escolher permanecer em uma empresa.

Psicólogos e médicos recomendam algumas práticas para reduzir o impacto do trabalho na saúde mental:

  • Estabelecer limites entre vida profissional e pessoal.
  • Praticar atividades físicas regularmente.
  • Procurar apoio psicológico ou psiquiátrico ao perceber sinais de estresse intenso.
  • Negociar pausas e condições mais saudáveis no ambiente de trabalho.

A prevenção não deve ser responsabilidade apenas do trabalhador. Especialistas defendem que empresas adotem programas de bem-estar, ofereçam acompanhamento psicológico e promovam gestão humanizada, evitando práticas que incentivem jornadas excessivas.

No Brasil, grandes companhias já começaram a investir em programas internos de saúde mental, mas, segundo levantamento da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), apenas 18% das empresas possuem políticas estruturadas nessa área.

O tema deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos anos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que países que não priorizarem políticas de saúde mental no ambiente profissional terão perdas bilionárias em produtividade. Estima-se que, globalmente, a economia perca US$ 1 trilhão por ano devido a afastamentos e baixa eficiência ligada a transtornos mentais.

No Brasil, a tendência é de que a saúde mental no trabalho se torne pauta permanente, não apenas por questões de bem-estar, mas também por impacto econômico e social.

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