Polícia abre investigação sobre caso de Giusepe Bastos de Sousa em Marechal Hermes
Um caso trágico envolvendo a morte de um homem diagnosticado com esquizofrenia paranoide chamou atenção no Rio de Janeiro e levantou debates sobre saúde mental, violência e responsabilidade em locais de culto. Giusepe Bastos de Sousa, de 31 anos, morreu após sofrer agressões dentro de uma unidade da Igreja Universal do Reino de Deus em Marechal Hermes, na Zona Norte da cidade. Segundo familiares, o homem, que era frequentador assíduo do templo há três anos, passou por um surto psicótico no último domingo e acabou contido por líderes e membros da instituição.
Entenda como tudo aconteceu
De acordo com relatos da família, Giusepe Bastos de Sousa sofreu um surto em sua residência por volta das 17h e saiu de casa alterado. Sua mãe o seguiu pelas ruas do bairro e o encontrou já dentro do templo religioso, onde caiu no chão após ser imobilizado por um pastor. A cena causou desespero entre familiares, que afirmam que o jovem já estava inconsciente no momento em que chegaram.
A irmã da vítima relatou que viu o irmão sem sinais vitais enquanto era contido com pressão no pescoço. Segundo ela, membros da igreja tentaram impedir a aproximação da família, alegando que Giusepe apenas dormia. Socorristas do Samu foram chamados ao local e constataram a gravidade do quadro, iniciando manobras de reanimação. Após a terceira tentativa, foi possível recuperar a pulsação, e o homem foi levado para a UPA de Marechal Hermes, mas não resistiu e morreu na manhã seguinte.
Laudo aponta sinais de asfixia
A declaração de óbito confirmou que Giusepe morreu por asfixia por constrição cervical, além de apresentar sinais de broncoaspiração e diversas escoriações pelo corpo. As marcas estavam visíveis no pescoço, nos braços e nos dedos, o que reforçou as denúncias de imobilização excessiva.
Fiéis da igreja afirmaram que Giusepe chegou exaltado, quebrou o portão do local e tentou agredir uma pessoa antes de ser contido. Já os familiares ressaltam que, mesmo em surto, ele poderia ter sido dominado sem o uso de violência letal, principalmente em um ambiente frequentado por homens adultos e fortes que poderiam segurá-lo sem risco à vida.
Investigação em andamento
O caso, inicialmente registrado como lesão corporal, passou a ser investigado como homicídio após a confirmação da morte. A Polícia Civil aguarda o laudo cadavérico completo para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e identificar os responsáveis diretos pelas agressões.
Um detalhe chamou atenção: a igreja informou não haver registro em vídeo do episódio, mesmo havendo câmeras no templo. A ausência das gravações aumenta a complexidade das investigações, que agora dependem de testemunhos e provas técnicas para esclarecer os fatos.
A vida de Giusepe antes da tragédia

Segundo a família, Giusepe era um homem caseiro, carinhoso e inteligente. Gostava de ler, desenhar, assistir a filmes e já havia servido ao Exército. Trabalhou como garagista e tinha o hábito de praticar exercícios físicos.
O diagnóstico de esquizofrenia paranoide transformou sua rotina. A doença trouxe mudanças de comportamento, desconfiança excessiva e surtos ocasionais. Mesmo com a insistência da família, ele não aceitava o tratamento medicamentoso. Apesar disso, continuava sendo descrito como respeitoso e religioso, participando dos cultos da igreja onde acabou vivendo seus últimos momentos.
Repercussão e pedido de justiça
A morte de Giusepe causou profunda revolta entre familiares e amigos, que afirmam não aceitar a forma como tudo aconteceu. A irmã lamentou a “covardia” que teria resultado em sua morte e destacou que ele não merecia tal fim.
Agora, a expectativa é que a investigação avance e que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados. A família cobra que a Justiça trate o caso com seriedade, ressaltando que a esquizofrenia é uma doença e não pode ser confundida com comportamento criminoso.
O que disse a Igreja Universal
Em nota, a instituição afirmou que Giusepe chegou ao local em estado de agitação, quebrou uma porta de vidro, feriu-se e tentou agredir pessoas, incluindo uma voluntária. Segundo a igreja, os presentes apenas tentaram proteger os fiéis até a chegada da polícia e do Samu, que já haviam sido acionados. A igreja disse ainda estar colaborando com as investigações e registrou boletim de ocorrência.
Conclusão
A morte de Giusepe Bastos de Sousa expõe não apenas uma tragédia individual, mas também o desafio da sociedade em lidar com pacientes em surto psicótico e o papel das instituições religiosas diante de situações de risco. O caso segue em investigação e já mobiliza autoridades, familiares e especialistas em saúde mental que pedem maior preparo para evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer.
