Venezuela e Rússia avançam em aliança estratégica em meio a tensões com os EUA

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O Parlamento da Venezuela aprovou, em primeira discussão, o projeto que estabelece uma associação estratégica e de cooperação com a Rússia. A proposta, chamada de Lei Aprovativa do Tratado de Associação Estratégica e Cooperação entre Venezuela e Rússia, ainda precisa passar por uma segunda votação para se tornar lei nacional.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, aliado de Nicolás Maduro, destacou a aprovação unânime e reforçou que a medida consolida o compromisso entre Caracas e Moscou. O texto prevê fortalecimento diplomático, cooperação em segurança, economia, energia e rejeição às “políticas hegemônicas do imperialismo”, em clara referência aos Estados Unidos.

Na última semana, o presidente Nicolás Maduro esteve em Moscou para celebrar os 80 anos do Dia da Vitória ao lado de Vladimir Putin e Xi Jinping. Durante a viagem, foram assinados novos acordos que elevam a relação entre os dois países ao mais alto nível diplomático.

A cooperação inclui projetos militares, energéticos, tecnológicos e comerciais, além do apoio russo à entrada da Venezuela no Brics. A Rússia, integrante permanente do Conselho de Segurança da ONU, tem desempenhado papel fundamental ao vetar resoluções contrárias ao governo venezuelano.

Foto: Secretaria de Comunicação da Rússia

A aproximação entre Venezuela e Rússia começou no governo Hugo Chávez, em 1999, quando Caracas buscou diversificar relações externas e reduzir dependência dos EUA. Desde então, os dois países firmaram mais de 350 acordos, incluindo contratos bilionários de compra de armamentos e exploração de petróleo.

A Venezuela tornou-se o maior comprador de armas russas na América Latina em 2005. Nos anos seguintes, Moscou enviou aviões de combate, inaugurou centros de treinamento militar em Caracas e garantiu linhas de crédito à estatal PDVSA.

Além da Rússia, a Venezuela conta com apoio da China e do Irã em momentos de crise. Pequim financiou projetos de infraestrutura energética e concedeu empréstimos que ultrapassam US$ 60 bilhões, enquanto Teerã auxiliou na reconstrução da indústria petroleira venezuelana.

Essas alianças foram fundamentais para driblar as sanções impostas pelos Estados Unidos desde 2017, que afetaram a exportação de petróleo e ampliaram a crise econômica no país.

O governo norte-americano, sob a administração de Donald Trump, anunciou tarifas para produtos venezuelanos e ameaçou sanções adicionais contra países que comprem petróleo de Caracas. Também foram revogadas licenças de operação da Chevron e de outras petroleiras norte-americanas no território venezuelano.

Analistas apontam que a aproximação entre Venezuela, Rússia, China e Irã representa um novo momento da geopolítica mundial, no qual Caracas busca reforçar sua posição internacional em meio ao confronto com Washington.

O tratado de cooperação entre Venezuela e Rússia marca um passo decisivo para a política externa de Caracas. Caso aprovado em segunda votação, o acordo colocará a Venezuela como o primeiro país das Américas a estabelecer relações no mais alto nível com Moscou, reforçando o eixo de poder alternativo ao Ocidente.

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